terça-feira, 6 de março de 2012

CRENTES DE MENTIRA


Pessoal, escrevi esse texto há mais ou menos 3 anos atrás, por esses dias pus a lê-lo e fiquei impressionado como continua tão atual esse assunto! Leiam, vale a pena!

Li por esses dias uma coluna do pastor Ricardo Gondim, falando sobre a fórmula para se montar uma igreja bem-sucedida. Admirador como sou desse homem, fiquei curioso em ver o que ele falava naquelas linhas e profissional de marketing que sou, constatei que as estratégias que, irônica e satiricamente ele descreveu como “o segredo de uma igreja de sucesso”, são estratégias que uso em minha profissão para fazer a empresa do meu cliente conquistar fidelidade dos clientes e se destacar frente aos concorrentes.

Comentei com um amigo sobre essa coluna e me pus novamente a pensar na piada que se tornou o evangelho do século XX…

Na década de 90, quando caíram por terra todos os paradigmas sem sentido que caracterizavam a igreja evangélica, como: não cortar o cabelo, não usar brinco, não usar saia, não deixar a barba, não tocar ritmos mundanos (rock, por exemplo), etc e etc, eu fui um dos que muito comemorei, afinal, para a juventude foi fundamental essa mudança para nos manter “menos alienígenas” quando servíamos a Deus. E até hoje penso que esse movimento foi importantíssimo. Contudo, essa modernização não parou, e hoje quase 20 anos depois da principal revolução cristã, vivemos coisas que nos envergonham piamente.

Assim como papas na época da reforma em Lutero, que eram profissionais da religião, encontramos por aí diversos pastores e apóstolos que fundam ministérios visando crescê-los como empresas corporativas.

As ovelhas tornam-se clientes. As bênçãos de Deus os produtos. Os pastores e líderes, os empresários. A igreja o balcão das negociações. E a moeda de compra e venda, são os dízimos e as ofertas!

Escrevo isso com profundo pesar, clamando a cada toque no teclado pelo sangue de Jesus sobre a minha vida, mas é a mais pura verdade!

Fico pensando em Pedro, Paulo, Huss, Savonarola, Lutero e tantos que verteram sangue por essa igreja e tento imaginar se homens como esses (dos quais, o mundo não era digno, como diz Hebreus 11) vivessem em nossa geração? Fossem e viessem pelos enormes corredores de nossas catedrais, tão belas e bem acabadas e sentassem nos bancos que nós sentamos? Ouvissem dessas mensagens baratas de prosperidade e riquezas materiais e os testemunhos das pessoas que conseguiram “milagres de última hora” e “promoções de cargo”, sendo que a cada dia ouvimos notícias de pessoas que morrem na miséria, e cristãos na Índia e China que são massacrados pelos muçulmanos, ou famílias que se destroem pela mesquinhez, ganância e egoísmo e nós continuamos aqui em nossos “cultinhos” nas nossas “igrejinhas” com nossos “pastorzinhos” transformando “a noiva de Cristo” num ridículo presépio de Natal. Transformando o tesouro que custou a dor, a vergonha, o sangue e a vida de nossos irmãos que nos precederam, num jogo de compra e venda de ações. Um banco imobiliário religioso, numa brincadeira de muito mau-gosto.

Fico pensando como seriam tratados em nossos tempos, homens como Moody e Finney, homens que largaram suas profissões, suas famílias, suas vidas a fim de falar do evangelho para alguns. Será que não seriam convencidos a montar um ministério de curas, milagres, prosperidade e manifestações pentecostais??? Ir para as rádios, transformar-se numa potência??? Será que as almas continuariam sendo o foco?

Fico imaginando Jesus entrando em nossos templos. Será que se ele entrasse em algumas igrejas que conhecemos em São Paulo, ao menos 70% delas, Jesus não derrubaria com pontapés e expulsaria alguns líderes do templo debaixo de chicotadas?

Eu ainda tenho esperanças e ainda amo a igreja de Jesus, mas se hoje eu pudesse falar com os mártires, os heróis da fé, que enfrentaram leões na arena, morreram ao fio da espada e ficaram longe de ver as suas promessas, pois o fruto de seus sacrifícios somos nós, eu me envergonharia de minha geração! Pediria-lhes muitas desculpas, pois a saúde da igreja pela qual lutaram e morreram está comprometida, ferida por uma doença que a deixou podre. Nem mesmo a coragem que eles tiveram nós temos hoje para mudar essa situação.

Reforço que amo a igreja, mas não nasci na época da igreja primitiva, onde a perseguição propagou o cristianismo pela terra. Não nasci na época dos mártires que durante séculos lutaram pela pureza da igreja. Nasci numa geração que perdeu a essência de ser cristão, e prostituiu o trabalho de homens que nos constrangem com sua coragem, integridade e amor ao evangelho.
Lutero que nos perdoe, porque somos de verdade: CRENTES DE MENTIRA!

Ficai Firmes
SAULO FERREIRA