quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A “privada”, uma unanimidade entre todos que nos faz iguais.



Por Saulo Ferreira.


Ele levantou da cama atrasado e o súbito despertar ativou seu mau-humor que durou exatas 24horas. O comentário de sua esposa sobre os desejos de um bom dia de trabalho ele ignorou enquanto arrumava o terno e fugia porta da sala afora. O porteiro, o sêo Manoel da padaria, a secretária, o assistente e pelo menos 10 fornecedores daquela segunda-feira chuvosa, foram totalmente desprezados pelo empresário que na sua correria esqueceu também de agradecer a Deus pelo seu dia. Às 16hs da tarde, a secretária lembrou da reunião com aquele importante cliente que há meses ele lutava para captar, contudo aquele dia não lhe havia sorrido e também o cliente ele ignorou. Seu chefe o chamou a sala, mas a desculpa de muitos afazeres o fizeram conseguir optar em desprezá-lo também, naquele dia Soares já havia decidido: hoje não tenho tempo para ninguém! Ninguém! Foi então que ele sentiu algo que o fez mudar de idéia: uma forte contração intestinal, que ele até tentou ignorar, mas não teve jeito!
Num dia atípico, onde Soares, um empresário, bem sucedido, inteligente, ousado e dono de suas ações, decidira não atender a ninguém, não pode ter sua vontade realizada, quando recebeu um forte chamado da senhora privada.
O vaso sanitário moderno, ou simplesmente: privada, como é mais conhecida, foi inventada por Joseph Bramah, um engenheiro inglês, que viveu entre 1748-1811, embora o mais antigo padrão de realizar suas necessidade sentado no vaso, já havia sido inventado pelos egípcios a 2100 a.c.. Desde então, a privada deixou de ser apenas uma opção, para se tornar fundamental na vida da grande maioria dos seres humanos de todo o planeta.
Dos mais poderosos aos mais simples, sejam brancos, negros, jovens, velhos, estudados ou não, todos que vivem em sociedade despedem parte dos preciosos minutos de seu dia para visitar a dita citada, quer queira ou quer não.
É muito difícil conseguir agendar uma reunião com aquele empresário Fulano de tal. Ele não recebe ninguém, sua agenda é atarefadíssima e seus minutos são tão contados que quando conseguimos um horário, esse é daqui meses adiante. Nem sua mulher tem o prazer de vê-lo com tanta freqüência. Contudo, na agenda desse homem tão importante sempre há 15 minutinhos para visitar a privada e “ai dele” se tentar ignorar esse encontro diário.
Novas convicções religiosas nos fazem diferentes, o time que torcemos, o partido político que defendemos, a nação onde nascemos, a roupa que vestimos. Nossos gostos pessoais e nossa cultura nos fazem muito diferentes uns dos outros, mas há algo que é unanimidade entre todos nós: o encontro diário com a privada! E sejamos sinceros conosco mesmos: há algo mais prazeroso, que sentar e relaxar sobre ela durante aqueles poucos minutos? Ali, naquele momento somos todos iguais, feitos da mesma matéria que nos classifica dentro do mesmo grupo e por mais que isso tire nossa pompa, nossa classe e acabe com nosso ego, há pouca coisas que nos faz tão bem...!
Bem-aventurado Joseph Bramah, que inventou a privada e deixe-me rápido encerrar essa matéria, pois todo esse papo me lembrou que preciso visitá-la já!

2 comentários:

  1. Primeiramente quero parabenizar pelo belissimo layout do blog ( palavra de webdesigner), e segundo, cara existe algo melhor que nossa amiga inseparável Privada? ela ouve meus lamentos, minhas cantorias, me apoia no momento de leitura e o melhor, leva embora tudo oque não presta em mim..sinceramente...queria poder dizer pessoalmente..Joseph Bramah eu te amoooooo

    ResponderExcluir
  2. KKKK! Esse Daniel é uma figuraça, um irmão parecido até fisicamente que só encontrei depois de 23 anos de vida. Sábias palavras meu brohter...rsss

    ResponderExcluir