segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Confissão II - Uma epístola para Deus



Por Fernando Santana Rodrigues, acesse:
http://www.jogoinverso.blogspot.com/

Deus, eu gostaria de lhe dizer que não te amo.

Que nunca te amei...
Que não sei se um dia vou te amar.

Queria muito te amar, mas não sei se sou capaz de amar alguém,
Isto é, amar alguém que não seja eu...

Tudo o que procuro nas pessoas, sou eu
E quando não me encontro nelas, não amo...

Deus, você nem mesmo existe, como posso amá-lo?
E suponhamos que você exista, o que muda?
Eu não te amo simplesmente porque não sei amar...

Achei que te amava porque também te louvava
Também te adorava,
Também batia palmas,
No meio da congregação...

Se o fiz, fiz para me sociabilizar, fiz pelo grupo...
Foi uma dose de Deus, para quem só bebe socialmente...

Mas ficar bebado, me embriagar... não... isso nunca.

...

Contudo, o que houve ainda há pouco?

Eu fechei a porta, levantei as mãos, e chorando
comecei a cantar... cantei uma canção a ti...

Eu, sem que ninguém estivesse olhando, e por que, se não te amo?

Por que me importo tanto assim com você, se não te amo, nem te quero, nem te adoro?

...

Em meio ao sono de uma sexta-feira sem gosto, sem graça...
Concluo que...

Se te busco Deus, é porque você é o único que sabe quem realmente eu sou.

Sempre soube que sou o criminoso, e nunca me delatou...

Sendo assim, não precisa me amar viu,
basta saber quem eu sou.


Respeitosamente,
F.

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