sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Uma história escrita em 86 anos...

Às vezes é dificil entender as coisas da vida
Todo ser humano nasce sabendo de uma coisa:
Que um dia vai morrer! Mas ele nunca se prepara para isso…
E eu já nem sei mais o que dizer a esse respeito…

Aliás, em situações como essa, as palavras nunca dizem o que sentimos.
Então é por isso que hoje, eu escrevo sem regras e nem colocação gramatical,
Quero apenas nesse texto prestar uma homenagem sem lampejos filosóficos.

Quero só dizer o quanto meu coração está apertado,
E que ainda dói demais saber que você partiu…
É certo que eu já deveria estar preparado, mas não estava…

Por diversas vezes eu passava tão rápido que mal te via
E a senhora sempre esteve ali, reparando em tudo, tão quietinha…

Os meus dias passaram e pior que os meus, os seus também…
E nesses dias, as ocupações me fizeram desprezar algo muito importante…
Estava tão atarefado com meus compromissos, a nossa vida é tão corrida!
Mas no fundo eu sei que além de saber disso, você se orgulhava de mim, afinal, já havia passado pelo que eu passei, eu estou só no começo e a senhora já estava no fim… Pena que eu nem sabia!

Percebi que estou começando a conquistar minhas coisas…
Minha ocupação reflete o sucesso que tenho alcançado.
Mas não havia percebido que se não fosse por você, eu nem estaria aqui! Nem tive tempo de te agradecer!

Quando me atentei que estava chegando sua hora e que papai do céu já estava a chamando, passei a orar muito pela senhora, e lembrei de mais uma coisa:
Que só conheço o criador, porque um dia a senhora nos apresentou a Ele.
E esse presente foi o maior de todos!
Hoje eu tenho a alma e o espírito curados, e tudo isso graças à senhora! Ainda que tarde: obrigado!

Quando criança talvez eu te valorizasse mais que hoje, mas nesse dia tão ruim eu lembrei que devia ter te agradecido tanto!
Essa água no pulmão, essa tosse que durou tanto tempo que a gente até esqueceu da gravidade! Ela te levou ao hospital e logo te levou aos braços do papai! E nem pude me despedir…

Hoje quero te deixar apenas essas palavras para que fiquem eternizadas:

A insuficiência respiratória pode te-la tirado de nós, mas jamais lhe tirará da nossa mente, das nossas lembranças e do nosso coração!
A senhora deixou para o mundo uma família de 6 filhos, 21 netos, tantos bisnetos, até trinetos. E todos nós estamos aqui, ainda que não possa ver, para lhe prestar essa ultima homenagem e dizer-lhe que és grande vencedora dentre tantos guerreiros!
Pois num mundo de tanto mau e tantas desculpas, formou uma família de caráter, respeito, admiração e com seu jeito simples, humilde, mesmo sem estudo, sem instrução conquistou de cada um de nós o respeito, carinho e amor. E além de ter nos trazido à vida, nela, nos ensinou o caminho à verdadeira vida, em Cristo Jesus, nosso salvador!

Sem “porquês”, que só nos faz sofrer mais, quero despedir-me dizendo “até logo”, pois estou certo que nos braços do nosso papai eterno nos encontraremos novamente!

Um grande beijo vovó, dos seus filhos, netos, e tantos descendentes que te têm muitas saudades e que te amam para sempre!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Evangelho da prosperidade, evangelho da nova era


A cada dia que passa, me sinto tentado a desacreditar de vez na igreja cristã. Percorro os bastidores das entidades evangélicas e me sinto profundamente desesperançoso no que tenho visto ao passar dos anos.
Acho que como todo sistema, a igreja evoluiu, mas essa evolução trouxe um pseudo-crescimento que tem posto em crédito não só os remanescentes que permanecem fiéis, mas o trabalho dos mártires que abriram mão de suas vidas, de suas famílias e das suas próprias promessas para que elas (as promessas) fossemos nós, frutos dos vossos sacrifícios.
Lembro-me do tempo que se pregava o evangelho da salvação. O evangelho que deixava o peregrino fortalecido, pois sabia que qualquer erro, tropeço ou vacilada, poderia fazer com que perdesse a vida eterna. Evangelho que nos dava força ao saber que as aflições do tempo presente nem de longe poderiam se comparar com a glória que em nós há de ser revelada (Rom 8.18). Um evangelho que nos incentivava a pensar na pátria vindoura, evangelho genuíno, verdadeiro, sem fins lucrativos e sem interesses.
Lembro de quando ovelhas eram ovelhas sem classificações especiais dentre elas. Quando os pastores olhavam as ovelhas e lhe tinha cuidado com a sua alma, sem pensar se lidavam com empresários, artistas, assalariados ou desempregados. Aliás, lembro de quando a alma era o único foco da igreja cristã.
Sou do tempo em que a igreja amava e cuidava de vidas, onde os grandes exageros com costumes e doutrinas eram produto da excessiva preocupação em manter a integridade, guardar o coração, livrar dos perigos e evitar os percalços das ovelhas. Assumo que sou um dos que tanto criticou os exageros, mas hoje penso que se todo mal fosse esse…! Acho que éramos felizes e não sabíamos!
Mas hoje vivemos sob a era da prosperidade! A igreja tornou-se uma empresa, alcançou a TV, os ginásios lotados e passamos a viver o evangelho no qual a salvação tornou-se apenas uma coadjuvante dentro desse grande espetáculo da fé chamado: igreja! Onde a palavra que diz que devemos ajuntar tesouros no céu, onde a traça não corrói e o ladrão não rouba (Mat 6.20), já não é mais ensinada e os bens materiais, as riquezas, o poder e a honra são muito mais importantes que a humildade, o amor ao próximo, a caridade e o perdão. Esse evangelho criou nas pessoas um sentimento de altivez e prepotência, deu-lhe um olhar condescendente que faz com que uns sintam-se melhores que os outros, afinal se tu não tens é porque “não tens sido fiel, algo está errado contigo”! Sendo que o apóstolo Paulo diz que não devemos nunca nos considerar superiores aos outros. (Fil 2.3).
O evangelho da prosperidade trouxe uma visão de águia, crescimento, multiplicação, vidas, bairros, estados, países, o mundo inteiro! Mas esqueceram do principal: a alma (Mar 8.36)! Esqueceram que pessoas são compostas de uma alma que precisar ser tratada, cuidada e muitas vezes corrigida e disciplinada.
Já uma vez sonhei em pregar para multidões, sonhei em conquistar as nações e ir à todos os povos. Sonhei em desbravar por todos os povos, línguas e tribos falar de um evangelho que muda e transforma, mas hoje só peço que Deus guarde minha fé. Rogo para que minha fé não desfaleça e que eu seja firme para consolar os que vêm a mim.
Sou do tempo dos grandiosos homens de Deus que eram anônimos, mas que certamente na glória conheceremos seu nome com honra e sinto falta desse tempo.
A alma ainda é o bem mais precioso para Deus. E para nós?

Ficai Firmes!
SAULO FERREIRA